segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O destino

E se as bocas se beijassem
e tudo perdesse um pouco do encanto
e no rosto amigo rolasse o pranto
e olhos puros tudo observassem.

E se o tempo se irasse
e sua ira nada mais aplacasse
e tudo arrasasse com muito furor
deixando a saudades como disfarce
de muita tristeza, dúvida e dor.

Se do peito vazio brotar uma flor
donde lhe fora roubado o coração
que não sintas nenhum olor
sem antes amarfanhares à mão.

Por tanto dizeres que nada é eterno
há coisas mortais sempre a te ferir
enquanto eu, convicto, a vestir o meu terno
retiro os meus sapatos e vou dormir.

domingo, 31 de outubro de 2010

Segundo turno - dead end

Um segundo turno com dois candidatos iméritos resume-se em:
Apertar três botões com as pontas dos dedos acreditando que há esperança na palma das mãos.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

12 de setembro


Choro, choro... que meu pranto não tenha fim
Choro de dia, choro sem hora, acabo chorando este festim.
Qual dor que afaga a carne sejam meus estes anteolhos
Choro de noite, choro sem trégua
E nem parem de chorar as meninas de meus olhos.
Desfaço-me em lágrimas, lavo-me com meus lamentos
Que meu soluço seja meu canto e a memória meu pior tormento.
Não encontrarei mais amor em ninguém
E, sendo só, renego a mim mesmo também.
Pois, sem amor, tudo é pranto
E nada além ti há de romper este quebranto.
Porquanto, choro, choro... que meu pranto não tenha fim
Choro de dia, choro sem hora, acabo chorando este festim.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Estava na noite, escrito no céu

Estava na noite, escrito no céu
na lua faceira, na onda ligeira
Estava na noite, no céu pergaminho
Gritava sozinho, pra eu mesmo escutar
Estava na noite, escrito no céu
Amante ao léu, estava eu lá.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Das verdades indizíveis...

Toma, leva em tuas mãos esta vida que se esvai.
Pois de ti é emanada a razão de sua existência
e a ti conduz todo o amor.
Mas antes de partir quero dizer-te Prima flor
da pétala que deixas caída ao chão
esta parte de ti que pulsa vida em vão.
E posso afirmar ao vê-la, sem dúvidas em meu coração;
que há mais poesia entre a pétala e o chão
que todos os livros da terra e todas as rimas de canção.