sábado, 28 de dezembro de 2013

É quanto vale cada grão de areia do Saara

Quero em prosa a distancia perfeita
Do meu olhar para o teu
Que não lhe deixe sombra de suspeita
Do tamanho amor meu.

Que estes versos, os quais metrifico,
Possam te medir exatos palmo a palmo
Quero um canto de amor, eu quero um salmo
Quero o sol, quero a paz e o castigo.

Adormecer em tua cama, ir ao teu cais
Que o sonho nos embale docemente
Pensar em ti e por fim me esquecer.

Lembrar também que nosso silêncio fala mais
Que a língua mais eloqüente
Arder em febre de amor, adoecer.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Ex Nihilo Nihil

Não te iludas com os meus poemas tristes
O meu eu-lirico, que te descreve em versos
Teu eu-ninfa, que nos meus sonhos persiste
Teu eu-carne, meu eu-terra, teu eu-sexo.

O Sol trará alegre este meu manifesto

Foi-se embora dos meus versos o pranto
Silenciosos gritos enamorados e, no entanto,
Meu eu-nuvem te choverá o mais modesto

Meu eu-fome, que suplica os olhos teus

Teu eu-lua, que insiste em dar-me o inverso
Meu eu-carne, teu eu-lua, meu eu-sexo

Adeus, adeus... Me diz teu eu-perverso

E, nada digo, pois, no início meu eu-deus
Fez de ti um outro, e vasto, universo

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Ópios Voláteis

Foram flores os tais versos que não disse
Como rosas se despetalando ao vento
Versos pobres, cheios de arrependimento
Versos vãos, detalhando o que não existe

Como o sexo das plantas aflorando
Perfumando nossos ares e dizendo
Eia, atentos pois que dura um momento
E repete-se, silencioso e brando

Vai brotando em meu ser a tal semente
Os teus olhos são dois frutos bem maduros
Brota um rio de nossa pele suave e quente


Deslizando por esguios leitos escuros
Contraindo os nossos corpos de serpente
Um beijo sela nosso amor ardente e puro

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Laudatio

Fulgurada culpa meu semblante exprime
Culpa esta que o fundo não se alcança
Maldita lâmina a qual cometo este crime
Penetra o peito, fulmina toda a esperança

E quantos "ais" ainda dirão estes meus lábios
Que desconhecem outros lábios traiçoeiros
Dou minha paga, três moedas ao gondoleiro
Vamos cantando estes lamúrios tristes e sábios

Eia! Que a vista, no caminho, já se entreva
Todos os anos se esvaem num segundo
Nenhuma pena vale o que minha mão escreva

Esvaem-se desejos deste peito, mas bem profundo
Pouco a pouco algo muito maior se eleva
Acabar-se em versos, abraçar a dor, beber o mundo!

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Morfologia

Mentimos, eu, quando lhe disse - Fico
Tu, quando me disseste - Vou
Estás em meu peito e agora sou
refém, em nada mais me qualifico.

Eu nunca soube o que é amor e quis amar
E tu, que muito suspeitavas, nunca quiseste
Deixou escrito "Ó coração, não há quem preste"
A aleivosia te enfeitiçou, banhou-se em mar.

Enfim, sentiu algo muito maior que a dor
Algo assim que deixou tudo ao contrário
Uma cantiga de criança e um amor

E olhe só o quanto ainda sou otário
Levo este lema, que ganhei, aonde for:
"Otário, otário, otário e só, solitário."