Procurei no peito um coração
e vi, sem ponteiros, um relógio
cor de musgo e liquen florão.
Então o pranto tomou forma cascata
alagando toda mata
esverdeando todo o chão.
Vejo, breve, toda esperança morrendo
com uma dor sem contentamento
uma árvore seca donde frutos colhi
amargos frutos da vida
da vida que não vivi
Mas Uirapuru, o mensageiro,
com seu sopro cálido
que no seio encontra refugo
diz, cá no centro
que esse tique-tique aqui dentro
é a esperança dizendo: "Ainda há tempo."
sexta-feira, 4 de março de 2011
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
O destino
E se as bocas se beijassem
e tudo perdesse um pouco do encanto
e no rosto amigo rolasse o pranto
e olhos puros tudo observassem.
E se o tempo se irasse
e sua ira nada mais aplacasse
e tudo arrasasse com muito furor
deixando a saudades como disfarce
de muita tristeza, dúvida e dor.
Se do peito vazio brotar uma flor
donde lhe fora roubado o coração
que não sintas nenhum olor
sem antes amarfanhares à mão.
Por tanto dizeres que nada é eterno
há coisas mortais sempre a te ferir
enquanto eu, convicto, a vestir o meu terno
retiro os meus sapatos e vou dormir.
e tudo perdesse um pouco do encanto
e no rosto amigo rolasse o pranto
e olhos puros tudo observassem.
E se o tempo se irasse
e sua ira nada mais aplacasse
e tudo arrasasse com muito furor
deixando a saudades como disfarce
de muita tristeza, dúvida e dor.
Se do peito vazio brotar uma flor
donde lhe fora roubado o coração
que não sintas nenhum olor
sem antes amarfanhares à mão.
Por tanto dizeres que nada é eterno
há coisas mortais sempre a te ferir
enquanto eu, convicto, a vestir o meu terno
retiro os meus sapatos e vou dormir.
domingo, 31 de outubro de 2010
Segundo turno - dead end
Um segundo turno com dois candidatos iméritos resume-se em:
Apertar três botões com as pontas dos dedos acreditando que há esperança na palma das mãos.
Apertar três botões com as pontas dos dedos acreditando que há esperança na palma das mãos.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
12 de setembro
Choro, choro... que meu pranto não tenha fim
Choro de dia, choro sem hora, acabo chorando este festim.
Qual dor que afaga a carne sejam meus estes anteolhos
Choro de noite, choro sem trégua
E nem parem de chorar as meninas de meus olhos.
Desfaço-me em lágrimas, lavo-me com meus lamentos
Que meu soluço seja meu canto e a memória meu pior tormento.
Não encontrarei mais amor em ninguém
E, sendo só, renego a mim mesmo também.
Pois, sem amor, tudo é pranto
E nada além ti há de romper este quebranto.
Porquanto, choro, choro... que meu pranto não tenha fim
Choro de dia, choro sem hora, acabo chorando este festim.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Estava na noite, escrito no céu
Estava na noite, escrito no céu
na lua faceira, na onda ligeira
Estava na noite, no céu pergaminho
Gritava sozinho, pra eu mesmo escutar
Estava na noite, escrito no céu
Amante ao léu, estava eu lá.
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