terça-feira, 20 de maio de 2014
Datilofilia
Comecei uma paixão doentia
Com uma máquina de escrever
O que eu escrevia ela entendia
E me entendia bem mais que você
Este caso começou bem discreto
Escrevi mil sonetos num canto
Meu amor foi ficando concreto
Belo dia percebi com espanto
Que os versos que nela escrevia
Ja os li em teu corpo um dia
Nos teus olhos via tanta beleza.
Mas agora, veja quanta ironia
Teu calor em meio a máquina fria
So me traz cada vez mais tristeza.
sexta-feira, 16 de maio de 2014
Mea Culpa
Estou doente, doente de verdade.
Meu cérebro atrofia diante da indgnação
Por paus e pedras procuram minhas mãos
Acabou-se de vez, acabou-se a fraternidade.
Matemos nossos pais, nossas mães e irmãos
Matemos a mulher, a criança e o ladrão
Matemos a justiça com faca cega de verdade.
E matemos mais, matemos em vão...
E vão-se os corpos em vala fria comum.
Matemos por fim esta falsa humanidade
Até que não sobre, não sobre nenhum!
Maldita doença é esta: o senso comum.
domingo, 27 de abril de 2014
Desqualificada poesia
Eu estava preparado para tudo
Era tudo o que ela não entendia
E por não compreender eu que sofria
Que sofri tanto, que fiquei mudo.
Desde então não tenho paz nem alegria
Nem nunca tive em minha vida vil riqueza
Meu coração jaz em profunda fortaleza
Em pura fome se alimenta de agonia.
Meu ombro amigo agora é pura aleivosia
Minha saudade cedeu lugar à tristeza
Minhas canções viraram tristes fantasias.
Me resta a vida, que só em ti viu a beleza
Me resta esta desqualificada poesia
Saudando em versos a morte, a dor e a pobreza.
Era tudo o que ela não entendia
E por não compreender eu que sofria
Que sofri tanto, que fiquei mudo.
Desde então não tenho paz nem alegria
Nem nunca tive em minha vida vil riqueza
Meu coração jaz em profunda fortaleza
Em pura fome se alimenta de agonia.
Meu ombro amigo agora é pura aleivosia
Minha saudade cedeu lugar à tristeza
Minhas canções viraram tristes fantasias.
Me resta a vida, que só em ti viu a beleza
Me resta esta desqualificada poesia
Saudando em versos a morte, a dor e a pobreza.
quinta-feira, 24 de abril de 2014
Para matar a Utopia
Para matar a Utopia
Proclame-se rei, ou soberana rainha
Sem muito esforço converta os seus
Seja sacerdote, mas muito ateu
Conquiste suas mentes com boa ladainha.
Crie uma lei qualquer
Risque uma linha no chão
Do seu lado quem você quiser
Do outro, só punição.
Se esta linha perder a razão
Chame alguns do lado de lá
Ofereça-lhes gratidão
Iluda-os com o lado de cá.
Posicione-os sobre a linha
Uma linha muscular
Com farda, dinheiro e farinha
Um inimigo contra quem lutar.
Inimigos do outro lado
Heróis do lado de cá
Se o de cá for o culpado
Jogue a culpa pro lado de lá.
Chame de "boa gente"
Os que vivem do lado de cá
Os de lá de "vagabundo, indigente",
Mesmo que morra de trabalhar.
Do teu lado a justiça
A polícia e a televisão
Do outro lado a imundícia
A fome, o trabalho, a prisão...
Dinheiro será uma ponte
Livre pra ir de lá pra cá
Na divisão, se há quem conte,
Noventa pra cá, dez pra lá.
O trabalho é muito sagrado
Deste lado não vamos tocar
Do outro lado, já profanado
Muito surrado de tanto gastar.
Pra resolver o dilema
Da saúde e educação
Do lado de lá é problema
Do lado de cá solução.
Deixe a hipocrisia fazer seu trabalho
E deixe o dinheiro endoidar gente sã
Não há no mundo o que pague o salário
De tratar a natureza como grande cortesã
Dada estas coordenadas
Matamos toda a utopia
Este lodo que se cria
Nestas mentes malfadadas.
Volte pro lado da linha
Ao qual você pertencer
Siga sua vida mesquinha
Viva feliz, ou tente viver.
Proclame-se rei, ou soberana rainha
Sem muito esforço converta os seus
Seja sacerdote, mas muito ateu
Conquiste suas mentes com boa ladainha.
Crie uma lei qualquer
Risque uma linha no chão
Do seu lado quem você quiser
Do outro, só punição.
Se esta linha perder a razão
Chame alguns do lado de lá
Ofereça-lhes gratidão
Iluda-os com o lado de cá.
Posicione-os sobre a linha
Uma linha muscular
Com farda, dinheiro e farinha
Um inimigo contra quem lutar.
Inimigos do outro lado
Heróis do lado de cá
Se o de cá for o culpado
Jogue a culpa pro lado de lá.
Chame de "boa gente"
Os que vivem do lado de cá
Os de lá de "vagabundo, indigente",
Mesmo que morra de trabalhar.
Do teu lado a justiça
A polícia e a televisão
Do outro lado a imundícia
A fome, o trabalho, a prisão...
Dinheiro será uma ponte
Livre pra ir de lá pra cá
Na divisão, se há quem conte,
Noventa pra cá, dez pra lá.
O trabalho é muito sagrado
Deste lado não vamos tocar
Do outro lado, já profanado
Muito surrado de tanto gastar.
Pra resolver o dilema
Da saúde e educação
Do lado de lá é problema
Do lado de cá solução.
Deixe a hipocrisia fazer seu trabalho
E deixe o dinheiro endoidar gente sã
Não há no mundo o que pague o salário
De tratar a natureza como grande cortesã
Dada estas coordenadas
Matamos toda a utopia
Este lodo que se cria
Nestas mentes malfadadas.
Volte pro lado da linha
Ao qual você pertencer
Siga sua vida mesquinha
Viva feliz, ou tente viver.
segunda-feira, 14 de abril de 2014
Timere sopitus
Monstro colossal,
hórrido, infame, lamacento
Ergue-se ao fundo um pensamento
que enerva e insufla a tez mortal.
Visão nefasta a pupila inflama
que de tormentos profanos, infernais,
invadem a alma com infindos ais
até a morte apiedada clama.
O medo, esse gigante que se ergue,
tragando tudo em fúrias abssais
tirou-me tudo o que me foi entregue.
Tirou-me a vida e o amor, tirou-me mais,
deixou-me seca a esperança para que eu regue,
Nos deixou sós com a razão dos animais.
hórrido, infame, lamacento
Ergue-se ao fundo um pensamento
que enerva e insufla a tez mortal.
Visão nefasta a pupila inflama
que de tormentos profanos, infernais,
invadem a alma com infindos ais
até a morte apiedada clama.
O medo, esse gigante que se ergue,
tragando tudo em fúrias abssais
tirou-me tudo o que me foi entregue.
Tirou-me a vida e o amor, tirou-me mais,
deixou-me seca a esperança para que eu regue,
Nos deixou sós com a razão dos animais.
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