terça-feira, 29 de maio de 2012
sábado, 12 de maio de 2012
Macieiras
Disto me eras infâmia, Daquilo te tornas virtude
Tu cheiravas macadâmia, tua voz um alaúde
Disto me eras encanto, Daquilo te tornas um plectro
Tuas mãos meu acalanto, tua imagem triste espectro
Eras lívida; Eras alva como leite
Disto me eras sustento
Daquilo te tornas lúcido deleite
Onde foras Senhoria?
Ao suave a vagar meia volta,
me toma completo de dores e vícios
Distraio-me e estou em seus braços,
conheço teus jogos e artifícios
Onde foste Senhoria?
Se meu peito já não doeu o bastante,
desta minha crua jornada
Ando a vagar cego, delirante
a cada passo dessa cavalgada
Onde ias Senhoria?
Disto me eras loucura, Daquilo te tornas intelecto
Disto me eras ternura, Daquilo te tornas infecto
Da histeria do dia a dia tinhas em mim fiel abrigo
Mas veio a vida fazer folia, ao leve sopro acabou comigo
Teu olhar, tuas mãos, tuas marcas, tua nuca, teu dorso
Ah! Me eras o mel, és agora o salobro
Disto me eras Amor
Daquilo te tornas Amor em dobro
domingo, 6 de maio de 2012
Mecânica básica
"Um ter o porquê, um ter o porquê"
bate bate bate, não pensas, sofregas
Comprime, expande
"um ter o porquê, um ter o porquê"
Acredito, procuro
"um ter o porquê, um ter o porquê, um ter o porquê"
Canto, "um ter o porquê, um ter o porquê"
Rio "um ter um porquê, um ter o porquê"
Levanto "um ter um porquê, um ter o porquê"
Me deito "um ter o porquê, um ter o porquê"
Me aborreço "um ter o porquê, um ter o porquê"
Me iludo "um ter o porquê, um ter o porquê"
Não esqueço "um ter o porquê, um ter o porquê"
Aprendo "um ter o porquê, um ter o porquê"
Desfaço "um ter o porquê, um ter o porquê"
Refaço "um ter o porquê, um ter o porquê"
Oro, rezo, peço, rogo, oro, peço, rezo, rogo, oro, peço, rogo, rezo
"um ter o porquê, um ter o porquê, um ter o porquê, um ter o porquê"
Desisto "um ter o porquê, um ter o porquê"
Insisto "um ter o porquê, um ter o porquê"
Te vejo... "tumtum, tumtum, tumtum"
bate bate bate, não pensas, sofregas
Comprime, expande
"um ter o porquê, um ter o porquê"
Acredito, procuro
"um ter o porquê, um ter o porquê, um ter o porquê"
Canto, "um ter o porquê, um ter o porquê"
Rio "um ter um porquê, um ter o porquê"
Levanto "um ter um porquê, um ter o porquê"
Me deito "um ter o porquê, um ter o porquê"
Me aborreço "um ter o porquê, um ter o porquê"
Me iludo "um ter o porquê, um ter o porquê"
Não esqueço "um ter o porquê, um ter o porquê"
Aprendo "um ter o porquê, um ter o porquê"
Desfaço "um ter o porquê, um ter o porquê"
Refaço "um ter o porquê, um ter o porquê"
Oro, rezo, peço, rogo, oro, peço, rezo, rogo, oro, peço, rogo, rezo
"um ter o porquê, um ter o porquê, um ter o porquê, um ter o porquê"
Desisto "um ter o porquê, um ter o porquê"
Insisto "um ter o porquê, um ter o porquê"
Te vejo... "tumtum, tumtum, tumtum"
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Grito
Ó fado, fado meu, que me deixas falar de morte
Ó fado, querido fado, se não fui eu homem de sorte
Quem dera ser meu destino, amar a inocente, a vestal
Adornarás cada verso, destino, que me quer tanto mal
Se debalde amei aquela que me foi puro engano
Me tens agora má fortuna como laço de cigano
O vento anuncia a chuva, o pranto anuncia a dor
Que te move, vida errante, senão o infortúnio amor?
Fado meu, que me foras do silêncio o Grito!
E a morte vem ao longe e pacientemente assisto
Perdoa-me destino sei bem que não és o culpado
Ao dar minha bússola, lhe dei meu Norte, isto sim foi pecado.
Ó fado, querido fado, se não fui eu homem de sorte
Quem dera ser meu destino, amar a inocente, a vestal
Adornarás cada verso, destino, que me quer tanto mal
Se debalde amei aquela que me foi puro engano
Me tens agora má fortuna como laço de cigano
O vento anuncia a chuva, o pranto anuncia a dor
Que te move, vida errante, senão o infortúnio amor?
Fado meu, que me foras do silêncio o Grito!
E a morte vem ao longe e pacientemente assisto
Perdoa-me destino sei bem que não és o culpado
Ao dar minha bússola, lhe dei meu Norte, isto sim foi pecado.
sábado, 7 de abril de 2012
Realidade
Sonhei que morava numa rua chamada solidão,
aqueles que ali passavam sendo boa gente ou não,
passavam um tanto apressados, com um aperto no coração
mas eu que ali morava não dava a menor atenção.
É gente bem recatada que mora na vizinhança
não tem nada de zuada, nem baderna, nem lambança
passe lá de madruga que de silêncio teu ouvido cansa!
Mas tenho um cado de inveja de quem mora na rua Lembrança
Essa é minha rua vizinha aqui no bairro Saudade
é uma rua apertadinha, mas sobra felicidade
imagine ser vizinho de seu amigo de mocidade?
correr atrás de passarinho e só ter uma idade
A rua mais povoada é a travessa esperança
Ali só gente rica, bem casada e com herança
mas é gente mal educada com lingua cheia de trança
com 17 filhos mamando e: -Dai-me Deus outra criança.
Já o beco felicidade é engraçado que só vendo
de belo só tem o nome é mais feio que dente doendo
não tem casa só barraco, o povo vestindo trapo, ninguém se compadecendo
pense na minha agonia, felicidade ali existia eu que não estava vendo
Nesse sonho muito louco, que nem sonho de criança,
numa rua solidão ao lado da rua lembrança
com a travessa da esperança e o beco felicidade
Num bairro chamado Saudade, acordei, já era tarde.
aqueles que ali passavam sendo boa gente ou não,
passavam um tanto apressados, com um aperto no coração
mas eu que ali morava não dava a menor atenção.
É gente bem recatada que mora na vizinhança
não tem nada de zuada, nem baderna, nem lambança
passe lá de madruga que de silêncio teu ouvido cansa!
Mas tenho um cado de inveja de quem mora na rua Lembrança
Essa é minha rua vizinha aqui no bairro Saudade
é uma rua apertadinha, mas sobra felicidade
imagine ser vizinho de seu amigo de mocidade?
correr atrás de passarinho e só ter uma idade
A rua mais povoada é a travessa esperança
Ali só gente rica, bem casada e com herança
mas é gente mal educada com lingua cheia de trança
com 17 filhos mamando e: -Dai-me Deus outra criança.
Já o beco felicidade é engraçado que só vendo
de belo só tem o nome é mais feio que dente doendo
não tem casa só barraco, o povo vestindo trapo, ninguém se compadecendo
pense na minha agonia, felicidade ali existia eu que não estava vendo
Nesse sonho muito louco, que nem sonho de criança,
numa rua solidão ao lado da rua lembrança
com a travessa da esperança e o beco felicidade
Num bairro chamado Saudade, acordei, já era tarde.
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