As portas, todas essas portas,
Com seus trincos e suas trancas
Fechadas, nosso caminho atravanca
Abertas, quem repara? quem se importa?
Se bater, quem será que atenderia?
Saberei entender quem me atende?
E se, ao me ver, quem atender se surpreende?
Na surpresa de atender me entenderia?
E estas portas do teu corpo, da tua alma?
Estas grossas portas, frias e carrancudas
Para abrí-las em teus molhos perde a calma
Que nestas chaves desiludidas não te iludas.
E quantas portas eu cruzei para encontrá-la?
E quantas cruzo ainda em cada reencontro?
Elas se abrem, elas se fecham, há um desencontro
E a esperança ainda bate: "inda hei de amá-la".
Eis portas duras, eis portas graves, dela me privam
Portas cruéis que guardam e tracam coisa tão bela,
Teu coração, mas teus olhares nos meus motivam
A ser ladrão e roubar-te amor pelas janelas.
sábado, 18 de maio de 2013
sexta-feira, 26 de abril de 2013
Nosce te ipsum
Tua figura se agiganta no horizonte
Teus lábios beijam o anil como a serra
Os teus seios se elevam em dura terra
Vão tuas pernas torneando lindo monte
Vão teus braços ondulando como rios
Tuas mãos enraizando vasta mata
São teus olhos sol e lua intemerata
Teus cabelos vasto e fundo mar sombrio
As muralhas de teus pés guardam segredo
No teu ventre forma um vale silencioso
Te chamei para ver-te, que engano ledo,
Me perdi num vale frio e doloroso
Entre matas, mares, rios e rochedos
Não é de perto que se enxerga o grandioso.
Teus lábios beijam o anil como a serra
Os teus seios se elevam em dura terra
Vão tuas pernas torneando lindo monte
Vão teus braços ondulando como rios
Tuas mãos enraizando vasta mata
São teus olhos sol e lua intemerata
Teus cabelos vasto e fundo mar sombrio
As muralhas de teus pés guardam segredo
No teu ventre forma um vale silencioso
Te chamei para ver-te, que engano ledo,
Me perdi num vale frio e doloroso
Entre matas, mares, rios e rochedos
Não é de perto que se enxerga o grandioso.
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Espero que este exemplo não seja distante demais
Aqui, neste canto, um sonho se desfez Escondo meus olhos, de engano, que choram Já raia outro dia meus olhos o ignoram. E eu que era um, agora sou três
Ai, que a saudade me mata outra vez E, outra vez mais, outonam as lembranças A vida, quando esfria, encolhe a esperança E morrem crianças por eu ser freguês. Espero, algum dia, poder compreender Que tudo se finda e dura um momento E ainda deseje qualquer sentimento Apaga-se a lousa e retoma à escrever. E isto te escrevo, à você que agora lê Te amarei algum dia, mesmo assim, sem saber Porque amo e esqueço, amo assim, sem valer Mas esse já não sou eu, este agora é você.
quinta-feira, 4 de abril de 2013
Crise de meia idade
Trabalha com o que não gosta
Recebe o que não merece
Compra o que não precisa
Gasta o que não tem
Perde o que tem
Passa o tempo
Envelhece
Morre
Fim
.
Recebe o que não merece
Compra o que não precisa
Gasta o que não tem
Perde o que tem
Passa o tempo
Envelhece
Morre
Fim
.
sexta-feira, 29 de março de 2013
Aversolução
O Réu é negro
O Juri é cal
O Juiz é cinza
E a Justiça, sal
A Polícia é amarela
A Imprensa, marrom
O Povo é panela
E o Político, filé mignon
O Passado é regra
O Presente é feio
O Futuro, do pretérito
Tudo isto me entrega
Isto tudo eu receio
Tudo isso, nosso mérito.
O Juri é cal
O Juiz é cinza
E a Justiça, sal
A Polícia é amarela
A Imprensa, marrom
O Povo é panela
E o Político, filé mignon
O Passado é regra
O Presente é feio
O Futuro, do pretérito
Tudo isto me entrega
Isto tudo eu receio
Tudo isso, nosso mérito.
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